Por Ceiça Guilherme — Belém (PA)
Entre os dias 11 e 16 de novembro de 2025, o Movimento de Mulheres Camponesas (MMC Brasil), com a participação de mais de 100 mulheres de diferentes estados, esteve presente na Cúpula dos Povos, evento que aconteceu paralelo à COP 30 (30ª Conferência do Clima da ONU), em Belém/PA. A COP 30 reuniu governos, chefes de Estado e empresas para negociar metas climáticas. A Cúpula dos Povos, espaço da sociedade civil, reuniu mais de dez mil pessoas que integram as mais de 1.100 organizações de 62 países presentes, e tinha como objetivo dar voz a movimentos sociais populares, povos indígenas, comunidades tradicionais, grupos ambientalistas, coletivos populares, entre outras organizações. Representando um espaço onde, de fato, se discutia justiça climática e direitos humanos, na tentativa de trazer soluções para a crise climática baseadas em justiça social.
A participação efetiva do MMC na construção e na programação da Cúpula, permitiu o contato e a troca de experiências com outras organizações da Via Campesina Internacional, configurando-se como um espaço importante de articulação e resistência, aprimorando o conhecimento sobre pautas que compõem a luta diária do Movimento.
No dia 11, Sirley Ferreira, da Coordenação Nacional do MMC, participou da Mesa Agroecológica, atividade do II Encontro Ecossocialista Latino-Americano e Caribenho, que ocorreu de 8 a 11 de novembro na Universidade Federal do Pará (UFPA), espaço da Cúpula. O encontro reuniu ativistas, militantes, indígenas e representantes de comunidades para discutir a crise climática e social a partir de uma perspectiva ecossocialista.
Na manhã da terça-feira (12/11), as mulheres do Movimento participaram da Barqueata, pela Baía do Guajará, junto a Via Campesina. A Barqueata foi uma atividade crítica às falsas soluções impostas pela COP30 para enfrentar a crise climática. Ainda no dia 12, o MMC participou do IV Encontro Internacional de Comunidades Atingidas por Barragens e Crise Climática; à tarde, da abertura oficial da Cúpula dos Povos.
A Cúpula foi dividida em seis eixos de debate, e o Movimento conseguiu se articular para está inserido em todos eles. Dentro da participação efetiva na programação, esteve presente na plenária “Feminismos Populares e Resistência das Mulheres nos Territórios”, focando o debate no feminismo camponês popular. No dia 13, mulheres de diferentes estados onde o movimento se organiza, participaram do diálogo “Construindo o Futuro: Soberania Alimentar e Undrop”, espaço onde foi debatido sobre a Declaração da ONU para os direitos dos camponeses.
Dia 15, as mulheres somaram na grande marcha pelo clima, que ocupou as ruas de Belém. A a tarde, uma roda de conversa sobre “Feminismo Camponês Popular e a Agroecologia Como Forma de Enfrentamento à Crise Climática”. Na manhã do dia 16, ocorreu o encerramento da cúpula que finalizou as negociações com a entrega da carta que resume os acordos e compromissos firmados pelas mais de mil organizações presentes.