O Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), através da Associação Nacional de Mulheres Camponesas (ANMC), lançou nesta quarta-feira (03/06), na Birosca do CONIC, em Brasília/DF, o Termo de Fomento 969858/2024 – Quintais Produtivos e o Termo de Fomento 983917/2025 – da Terra à Mesa, iniciativas apoiadas por editais do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), ambos são fundamentais na garantia da segurança alimentar, na autonomia econômica com geração de renda, para mulheres do campo, das florestas, das águas, mulheres urbanas periféricas e periurbanas, no fortalecimento da agroecologia.
O evento teve início com um grande ato político que celebrou a trajetória de luta e organização das mulheres do campo, das águas e das florestas. Participaram da solenidade, além das mulheres dos 18 Estados onde o movimento está organizado, dirigentes do MMC, representantes de movimentos sociais populares, autoridades políticas, como Eric Moura, Secretário-Executivo do MDA, Kelli Mafort da Secretaria-Geral da Presidência da República, Patrícia Mourão, da Coordenação Geral de Organização Socioprodutiva de Mulheres Rurais do MDA, Loroana Santana, Presidenta da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (ANATER), entre outros, reafirmando o compromisso coletivo com a luta por uma vida digna no campo.
De todas as regiões do país, reafirmam o compromisso histórico das mulheres camponesas com a defesa da vida, da terra, da biodiversidade, das sementes crioulas, da agroecologia e da soberania alimentar. Durante toda a manhã ecoaram vozes que lembraram que as mulheres seguem produzindo alimentos saudáveis e diversificados, cuidando da natureza e construindo alternativas concretas para enfrentar a fome, as desigualdades e a violência no campo.
Esses projetos são resultados concretos da luta organizada e articulada dos movimentos sociais populares que sempre pautaram a luta por direitos. E através dos Quintais Produtivos e Da Terra à Mesa, as mulheres serão beneficiadas com a estruturação e ampliação de quintais produtivos agroecológicos, que vão desde o cultivo de hortas, plantas medicinais, criação de galinhas e/ou animais de pequeno porte. Trata-se de uma política pública que propõe o reconhecimento do protagonismo e a contribuição das mulheres com a produção de alimentos saudáveis, a preservação dos saberes populares e o cuidado com a família.
A coordenação do ato destacou que, tanto o lançamento dos projetos quanto a II Mostra Nacional da Produção acontecem em um momento histórico para o MMC, que completou 43 anos de luta e organização popular no marco do Dia do Trabalhador, 01 de maio de 2026.
Maria Lucivanda Rodrigues da Silva, Dirigente Nacional do MMC, destacou que investir nas mulheres do campo é investir no futuro do país. “Investir em política pública para as mulheres do campo é investir na soberania alimentar, na agroecologia, na geração de renda, na autonomia financeira e no fortalecimento da comunidade rural. Quando uma mulher tem acesso às políticas públicas, toda a família e toda a comunidade são beneficiadas. Por isso, é fundamental que os governos continuem construindo e fortalecendo políticas públicas que atendam às necessidades das mulheres camponesas, ouvindo suas demandas e reconhecendo sua contribuição para o desenvolvimento do país. As mulheres camponesas não querem favores, querem respeito, reconhecimento e acesso aos seus direitos. Fortalecer as mulheres camponesas é fortalecer a agricultura familiar camponesa, a produção de alimentos saudáveis e a vida no campo”, destacou.
Reconhecimento da parceria construída com as mulheres camponesas
Representando o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Geane Bezerra, Coordenadora-Geral de Inclusão Socioprodutiva da Secretaria de Agricultura Familiar e Agroecologia, destacou a importância da parceria com o MMC e a ANMC. “O Movimento de Mulheres Camponesas e a Associação Nacional de Mulheres Camponesas são organizações parceiras nossas, que possuem uma trajetória de luta muito antiga e consolidada, desenvolvendo atividades junto às mulheres. São aquelas mulheres que estão em todos os lugares; são elas que produzem alimentos, que alimentam famílias inteiras e comunidades, seja nos quintais, seja nos roçados. São as mulheres que cuidam da biodiversidade e das sementes.”
A fala reforçou o reconhecimento institucional ao trabalho desenvolvido pelas camponesas na preservação dos bens comuns da natureza, na produção de alimentos saudáveis e na garantia da segurança alimentar da população brasileira.
O lançamento foi marcado por muita emoção e reafirmação da força que tem a luta organizada das mulheres camponesas e o encerramento ocorreu com uma representação simbólica da importância que têm os equipamentos que chegam nas comunidades e territórios através desses projetos, como os tratoritos, por exemplo, e que contribuem significativamente com o trabalho realizado na agricultura familiar camponesa.
Como ecoou durante o ato político pela manhã: “MMC 43 anos: existimos porque lutamos!”





